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Mercado em transformação: novas regras da Susep e onda de fusões mudam o jogo para corretores de seguros

Mercado em transformação: novas regras da Susep e onda de fusões mudam o jogo para corretores de seguros

Mercado em transformação: o que está acontecendo com o setor de seguros?

O mercado de seguros brasileiro está passando por uma fase de ajustes importantes. De um lado, a Susep vem atualizando e consolidando regras que afetam diretamente a atuação dos corretores. De outro, o setor vive um ciclo forte de fusões e aquisições, com recorde de negociações em 2024 e manutenção do ritmo em 2025.

Para o corretor de seguros, isso significa uma coisa: não dá mais para ficar no automático. Quem acompanha as mudanças regulatórias e entende o movimento de consolidação do mercado sai na frente.


1. Consulta Pública nº 5/2025: novas bases para a corretagem de seguros

Em 17 de setembro de 2025, a Susep lançou o Edital de Consulta Pública nº 5/2025, com uma minuta de resolução do CNSP que redesenha a regulamentação da corretagem de seguros no Brasil.

Essa minuta busca:

  • Reunir em um único texto normas que hoje estão espalhadas em diversos atos regulatórios sobre corretores;
  • Atualizar regras envolvendo:
    • Corretores de seguros, de proteção patrimonial mutualista, capitalização e previdência aberta;
    • Entidades autorreguladoras do mercado de corretagem;
    • Instituições de ensino credenciadas para cursos e exames de corretores.

Entre os pontos de atenção para o corretor:

  • Reforço da obrigação de manter cadastro atualizado junto à Susep e às entidades autorreguladoras;
  • Exigência expressa de que o corretor se mantenha atualizado em legislação, regulação, práticas de mercado e inovações técnicas;
  • Consolidação de regras sobre registro, comissões e autorregulação — tema que tem sido amplamente discutido por entidades de classe.

Na prática: o ambiente tende a ficar mais organizado e previsível, mas o corretor que não acompanhar essas mudanças pode ter problemas com cadastro, conformidade e relacionamento com o cliente.


2. Consulta Pública nº 10/2025: modernização dos seguros de danos

Em novembro de 2025, a Susep colocou em consulta pública a minuta de resolução sobre contratos de seguros de danos, por meio da Consulta Pública nº 10/2025.

Essa proposta:

  • Estabelece regras para elaboração, estruturação, comercialização e operação dos seguros de danos (como residencial, empresarial, automóvel, responsabilidade civil etc.);
  • Busca alinhar as normas à nova Lei de Contrato de Seguro (Lei nº 15.040/2024), trazendo mais clareza e equilíbrio às relações entre segurados e seguradoras;
  • Propõe revogar e substituir regras atuais, como a Circular Susep nº 621/2021 e partes de outras circulares relacionadas a seguros de danos, simplificando o arcabouço regulatório.

O prazo para contribuições do mercado vai até 25 de novembro de 2025, via Sistema de Consultas Públicas da autarquia.

Para o corretor de seguros:

  • Os produtos de danos (especialmente auto, residencial e empresarial) devem ter condições contratuais mais padronizadas e transparentes;
  • Isso tende a facilitar a explicação ao cliente, mas também aumenta a responsabilidade do corretor na orientação e comparação entre opções;
  • Corretores e entidades que participarem da consulta podem influenciar pontos importantes do texto final.

3. Recorde em fusões e aquisições: o mapa das corretoras está mudando

Enquanto a regulação avança, o mercado se movimenta. Em 2024, o setor de seguros registrou o maior volume de fusões e aquisições em quase três décadas, com 42 operações, um aumento de 27% em relação a 2023, segundo estudos de mercado.

Alguns destaques:

  • Parte relevante dessas operações envolve corretoras de seguros e insurtechs, mostrando um movimento de consolidação e inovação ao mesmo tempo;
  • Entre janeiro e junho de 2025, o setor de seguros manteve um volume significativo de negócios, com operações envolvendo tanto empresas brasileiras quanto grupos estrangeiros adquirindo participação no mercado nacional;
  • Grandes corretoras globais anunciaram planos agressivos de crescimento no Brasil, apostando em nichos como riscos climáticos, seguros paramétricos e linhas corporativas.

O que isso significa para o corretor?

  • Corretoras estruturadas, com processos claros e carteira bem cuidada tendem a ficar mais valorizadas para eventuais parcerias, associações ou venda;
  • Corretores menores podem sentir mais pressão competitiva, mas também podem se beneficiar de:
    • Assessorias e hubs de serviços;
    • Parcerias com grandes players;
    • Foco em nichos específicos (PME, agro, benefícios, saúde, etc.).

4. Impactos práticos: como o corretor pode se adaptar a esse novo cenário?

Em resumo, temos três grandes forças atuando ao mesmo tempo:

  1. Atualização regulatória sobre corretores (Consulta nº 5/2025);
  2. Modernização dos contratos de seguros de danos (Consulta nº 10/2025);
  3. Consolidação via fusões e aquisições no mercado de seguros e de corretoras.

Algumas atitudes ajudam o corretor a transformar esse cenário em oportunidade:

a) Acompanhar de perto as consultas públicas

  • Ler resumos e materiais explicativos de entidades como Susep, Fenacor, sindicatos e associações regionais;
  • Participar com sugestões, quando possível, ou ao menos entender os principais pontos antes que as regras entrem em vigor.

b) Reforçar a conformidade e a organização interna

  • Manter cadastros atualizados, registros organizados e documentação em dia;
  • Revisar processos de venda, propostas e pós-venda à luz das novas exigências de transparência e informação ao consumidor.

c) Profissionalizar a gestão da corretora

  • Cuidar da carteira de clientes como um ativo de longo prazo;
  • Criar indicadores básicos (recorrência, cancelamento, ticket médio, mix de produtos);
  • Investir em tecnologia (CRM, automação, atendimento digital) para ganhar eficiência e valor de mercado.

d) Escolher um posicionamento claro

Em um mercado mais competitivo, faz diferença ser reconhecido como especialista em:

  • PME e benefícios corporativos;
  • Riscos empresariais e programas de seguros;
  • Agro, transporte, infraestrutura;
  • Ou outro nicho em que a corretora consiga entregar mais valor consultivo.

Conclusão: mais regulação, mais consolidação – e mais oportunidade para quem se prepara

A combinação de novas regras da Susep e de um ambiente recorde em fusões e aquisições mostra que o mercado de seguros não está parado — ao contrário, está se reorganizando.

Para o corretor de seguros, esse cenário pode parecer desafiador, mas também é uma chance de:

  • Se profissionalizar ainda mais;
  • Fortalecer sua marca e sua carteira;
  • Se posicionar como um parceiro estratégico do cliente, e não apenas como intermediário.

Quem acompanha as mudanças, ajusta processos e investe em relacionamento tende a sair fortalecido nesse novo ciclo do mercado.